Marcos Ramon

Fazer o melhor que eu posso


Todas as vezes em que paro pra pensar em por que falhei em alguma coisa, a primeira reação que me vem à mente é perguntar a mim mesmo: “o que eu deixei de fazer?”. Mas, tentando ser coerente comigo, tenho que reconhecer que essa pergunta é inútil - e inútil no pior sentido do termo.

Em qualquer coisa que eu venha a fazer, e mesmo fazendo o melhor que eu puder, sempre existirão centenas de coisas que eu não fiz. Para cada escolha, para cada decisão e ação, sempre existirão um monte de possibilidades não exploradas, e isso é impossível de mudar. Sempre haverá dúvida e medo e arrependimento.

Mas considerando que isso é simplesmente viver, não é aqui o caso de dizer que isso é o “pior” que poderia acontecer. Simplesmente é o que é.

Na semana passada passei por uma situação dessas em que pensei: “tudo isso poderia ser diferente se…” Mas esse “se” não é uma possibilidade de mudança e sim um martírio. Eu tento me convencer de que eu não preciso dele. O que eu preciso é de força para transformar a frustração em impulso para continuar vivendo e realizando algo em que eu acredito.

Será que dá pra chamar isso de otimismo?

Pintura de Davide Eron Salvadei

Marcos Ramon

Marcos Ramon

Professor no Instituto Federal de Brasília, pesquisando ensino, estética e cibercultura. Lattes | ORCID | Arquivo
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Marcos Ramon / Professor de Filosofia, pesquisando estética e cibercultura.

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