Quem lê poesia hoje em dia?

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Eu te pergunto: quem realmente lê poesia hoje em dia? Você, provavelmente. Mas é exatamente isso que eu quero dizer. Se você está lendo esse blog é porque você não é lá uma pessoa muito normal - “normal” no sentido de comum, igual à maior parte das pessoas - e por isso faz todo sentido que você leia poesia. Mas para a maioria das pessoas a poesia é uma experiência antiga, um tipo de coisa que se fazia e se lia sabe-se lá quando e por qual motivo…

Mas estamos eu e você aqui, considerando a existência de poemas, rimas, estrutura, ritmo. Que gente antiga a gente é!

Dei uma olhada agora nos livros que eu tenho (eu ainda tenho alguns, apesar de não ter mais lugar pra guardar) e vi que tenho poucos de poesia, apesar de lembrar que li muita, mas muita poesia quando estava na escola.

É estranho pensar nisso agora porque eu achava que fazia todo sentido ler poesia naquela época. Um livro de poesia era um livro que me acompanhava em qualquer lugar. E eu não tinha smartphone, nem internet, nem como me comunicar com qualquer pessoa na hora que desse na telha. Então um livro de poesia me ajudava a ver o tempo passar, me ajudar a pensar melhor no que eu tinha que pensar. Pelo menos era assim que eu entendia o papel da poesia na minha vida.

Mas hoje a gente tem tudo - e tem tanto - que bem pouca gente deve se importar com essa extravagância antiga chamada poesia, sinônimo de uma época em se devia viver muito devagar.

Então, quem ainda lê poesia hoje em dia? Alguém, certamente. E isso basta.


Um bônus:

Por que é bela a arte? Porque é inútil. Por que é feia a vida? Porque é toda fins e propósitos e intenções. (…) E eu te digo isto - por que escrevo este livro? Porque o reconheço imperfeito. Sonhado seria a perfeição; escrito, imperfeiçoa-se; por isso o escrevo. E, sobretudo, porque defendo a inutilidade, o absurdo, [] - eu escrevo este livro para mentir a mim próprio, para trair a minha própria teoria. E a suprema glória disto tudo, meu amor, é pensar que talvez isto não seja verdade, nem eu o creia verdadeiro. (Fernando Pessoa. Livro do desassossego - 330)

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