Durante todo o século XX o que se observou, em relação à cultura, foi um aumento da concepção de cultura como mercadoria. O tema é analisado de maneira extensa pelos autores da Escola de Frankfurt (Adorno, Horkheimer e seus seguidores), e por muitos outros de vertentes distintas (um dos mais recentes foi Mario Vargas Llosa).

A princípio, parece estranho querer ver, ainda hoje, alguma novidade na ideia de que a cultura é mercadoria. Crescemos em um mundo tão cheio desse tipo de produção e construção social que o absurdo talvez seja agora querer desvincular a cultura de seu caráter publicitário.

De qualquer forma, ainda vejo a discussão atual, porque mesmo com a globalização avançando e ocupando quase todos os lugares, oprimindo os interesses em sua versão globalitária (Cf. Milton Santos) e destruindo tudo o que se opõe à ela, ainda acho difícil dizer que o aspecto mercadológico da cultura atinge a todos. Existem comunidades que vivem em um outro tempo (de relação com o trabalho e com os interesses sociais) e existem pessoas que não se renderam ao modelo definitivo que venceu — e nos venceu — pelo cansaço.

E eu falo tudo isso estando do lado massificado. Cresci em um mundo em que fui sempre contaminado pela publicidade e não acho isso ruim. Quase toda forma de cultura que conheço é de consumo e produzida em larga escala. Mas por que teria que ser assim para todo mundo? Não precisa, não deve.

Pinturas clássicas reimaginadas para a atualidade. Trabalho de Alexey Kondakov

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