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O que significa o futuro?

Até o séc. XIX falar em futuro talvez fosse falar em algo muito vago. Afinal, era bem provável que os pais e avós tivessem conhecido uma vida bem semelhante àquela que seus filhos e netos agora tinham. Não dava pra imaginar quais mudanças concretas iriam ocorrer no mundo, não dava para prever se haveria um novo modo de interação com as outras pessoas e com o meio ambiente.

Hoje, contudo, muita coisa mudou. Falar em futuro não significa mais pensar sobre o que vai acontecer daqui a cem anos, mas sim daqui a dez anos ou menos. Sim, em dez anos o nosso mundo estará provavelmente bem diferente do que é hoje. A ideia de conflito de gerações vai sumir e a gente vai ver cada vez mais pessoas presenciando mudanças significativas enquanto estão vivas. Eu mesmo vivenciei algumas dessas mudanças no meu looongo tempo de vida. No sentido do bens culturais, por exemplo, eu posso dizer que joguei Atari, vivi o auge da fita cassete, mandei carta pelo correio e peguei filas gigantes pra tentar usar minhas fichas no orelhão. Disso pro Playstation 4, música via streaming, email e smartphones, demorou um pouquinho, mas nem tanto. E essas distâncias entre a gente e o futuro só vão diminuir.

Mas isso não é ruim. Na verdade, é até estimulante pensar que eu vou ver ainda muitas coisas diferentes em minha vida e vou ter que aprender coisas novas o tempo todo. Claro que devia ser bem mais simples viver em um mundo em que pouco ou quase nada mudava; tão simples que era desesperador.

Entre um futuro impossível de imaginar quando virá e um futuro que pode ser depois de amanhã, eu definitivamente prefiro a segunda opção. Só espero não ser pego de surpresa quando um drone aparecer na minha porta pra entregar uma pizza…

Marcos Ramon

Marcos Ramon

Professor no Instituto Federal de Brasília, pesquisando ensino, estética e cibercultura. Lattes | ORCID | Arquivo
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