O pior e o melhor de nós

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Uma das consequências mais terríveis de se andar de transporte público - pelo menos pra mim - é acabar sentindo raiva.

Raiva do cara de vinte e poucos anos lendo uma revista da Marvel sentado no assento preferencial (com duas idosas em pé ao lado dele); raiva do outro que espirra em cima de todo mundo no metrô lotado sem se preocupar com a saúde alheia; raiva daquele que escuta música no volume máximo, sem entender que as outras pessoas no vagão não compartilham do desejo dele de ficar surdo.

Mas o lado bom disso, se é que dá pra falar num lado bom, é que eu percebo como somos falíveis e imperfeitos como seres humanos. E ao mesmo tempo que eu tão facilmente consigo apontar os defeitos alheios, outros devem notar e abominar os meus, aqueles que eu mesmo não encaro como defeitos ou falhas de caráter, mas como o meu “jeito de ser”. A convivência com os outros é difícil porque mostra o pior de nós. Mas se somos capazes de fazer o mal, também podemos fazer o bem. E sempre tem alguém que encanta, anima e embeleza a sua vida. E é por isso que vale a pena acordar todos os dias.

Um desejo: não ser alguém que estraga o dia alheio. Porque isso, por si só, já é um benefício imenso para todos.

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