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O destino inglório dos livros gigantes

Eu tinha entrado na Universidade fazia pouco tempo. Era 1999 e eu gostava de bibliotecas. Um dia caminhando pelo corredor de literatura da biblioteca da Universidade vi um livro gigante - e livros gigantes me intrigavam, naquela época. O livro se chamava Ulysses e o autor, James Joyce. Não tive de coragem de pegar aquele livro naquele dia, mas peguei outro do mesmo autor (Retrato do artista quando jovem) e gostei.

Passado um semestre eu me vi novamente naquele corredor junto com um colega de turma e a gente decidiu apostar quem terminava de ler o Ulysses primeiro (diversões bestas de uma época em que a internet ainda não era o que é hoje). Tentei três vezes, em épocas diferentes da graduação, e nunca consegui. Depois deixei pra lá. Tudo bem que Joyce passou 7 anos escrevendo aquele livro, mas eu não ia passar 7 anos lendo aquele livro. Me orgulho de dizer que eu era leitor voraz naquela época e me envergonho de dizer que não sou mais. Como eu queria sempre ler muitas coisas, aquele único livro impossível que aparentemente nunca me levava a lugar algum, só me atrapalhava. Daí eu desisti dele. Pra sempre.

Já nem lembrava mais que existia James Joyce quando, pulando de um link pra outro, encontrei o Ulysses em pdf. Nessa página você encontra o livro em 9 línguas diferentes, incluindo português (2.267 páginas).

Eu não vou ler, mas gosto de pensar que ninguém mais vai. Ele está disponível. É só baixar e seguir com parcimônia até o fim. E, sim, isso é um desafio: você acha que consegue? A resposta: não.

Marcos Ramon

Marcos Ramon

Professor no Instituto Federal de Brasília, pesquisando ensino, estética e cibercultura. Lattes | ORCID | Arquivo
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