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Ler e escrever... ainda faz sentido?

Estava pensando dia desses que a leitura já podia não existir. Estamos com tecnologias cada vez mais interativas que permitem que a gente se comunique, produza e acesse informação de forma mais simples e rápida. Nesse contexto, o tempo que se demora para ler alguma coisa interessante dificilmente consegue competir com a agilidade e fluidez de um vídeo ou de um produto em áudio.

Eu, que adoro ouvir podcasts, vejo isso acontecendo comigo: quanto tempo eu demoraria para ler a quantidade de coisas sobre ciência e tecnologia que eu escuto semanalmente? Não sei calcular, mas tenho certeza que eu não teria tempo pra tanto.

Mas ainda assim, a gente continua lendo: livros, blogs, bulas de remédio, o que for. E se a gente lê, é porque alguém ainda dedica um pouco do seu tempo para escrever. Mas por que mesmo? As pessoas criam blogs, escrevem livros, outros ainda fazem poesia… Faz sentido escrever no mundo de hoje?

Eu acho que faz, por um único motivo: a escrita é uma extensão da memória. Quando escrevemos nos envolvemos com um pouco do que nós somos, visualizando nossas percepções sobre o mundo, nossa experiência de vida. Se escrever fosse um ato direcionado para o outro, então realmente a escrita - e, consequentemente, a leitura - acabaria. Mas isso não vai acontecer.

Escrever é a melhor chance que temos de ouvir a nós mesmos. E quando uma outra pessoa lê, esse é só um efeito colateral; o que não é ruim, mas também não é necessário.

Marcos Ramon

Marcos Ramon

Professor no Instituto Federal de Brasília, pesquisando ensino, estética e cibercultura. Lattes | ORCID | Arquivo
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