Encarar o sofrimento

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Não é simples dizer a uma pessoa que está sofrendo (por qualquer motivo que seja) que aquilo que ela vive não é relevante, que não importa ou que não é tão grave assim. Quem está de fora sempre acha que o sofrimento dos outros é mais simples ou mais suportável. Afinal, todo mundo já passou por situações em que achou que a dor não ia passar ou que nada ia realmente melhorar. Mas na maior parte das vezes as coisas se resolvem — e a dor fica pra trás como uma lembraça ruim. Por que então não somos mais atentos aos sofrimentos dos outros?

Schopenhauer considerava o sofrimento como aquilo que há de positivo na existência, ou seja, aquilo que é permanente. Logo, o prazer, a alegria, a felicidade, nada mais são do que momentos em que a dor não está presente. Esses momentos são menos constantes do que aqueles de dor; mas a natureza é serva da vontade de viver e, por isso, nosso corpo sabe disfarçar esses sinais de sofrimento para que não nos desesperemos mais do que o necessário, para não desistirmos da vida. Esse é o motivo pelo qual tendemos a elevar nossos próprios sofrimentos e, em certa medida, menosprezar os dos outros: todo mundo sofre, mas só sentimos de fato aquilo que ocorre conosco. Assim, é inevitável que nossa consciência se concentre no modo como a vontade age sobre nós mesmos.

O caminho para superar isso, afirma Schopenhauer, é a compaixão. Se cada um de nós entender realmente que a vontade que age em um não é diferente da vontade que age nos outros, que o sofrimento que me aflige também ataca em maior ou menor medida as outras pessoas, que o que nos une de maneira mais íntima é justamente o fato de que somos submissos aos desejos e aos sofrimentos; se aceitarmos isso, poderemos trabalhar para a diminuição do sofrimento dos outros. A essência da ética não tem a ver, como queria Kant, com o desenvolvimento da razão, mas sim com o reconhecimento de que se somos todos parte do mesmo destino.

Foto feita por Cormac

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