Ontem, enquanto estava no metrô voltando pra casa, comecei a fazer um exercício que já tinha feito algumas vezes (talvez inspirado em um filme, não tenho certeza): imaginar quem eram as pessoas que estavam perto de mim, o que faziam, suas profissões, hobbies e qualquer outra coisa que fosse importante pra elas.

O curioso desse tipo de experiência é que isso não diz, obviamente, nada de significativo sobre as pessoas que você está observando, mas diz muito sobre você. Ao olhar alguém na rua e tentar determinar quem essa pessoa é, o que ela faz, o que a incomoda, o que você faz na verdade é estender a sua compreensão de mundo na direção dessa outra pessoa. É você que, em alguma medida, tem aquelas características; senão como traço de personalidade, pelo menos como uma referência que define o que você sente e o que você é capaz de perceber.

Não é difícil entender que não existe uma verdade nas coisas. O que existe somos nós mesmos impondo aos outros o nosso jeito de ver o mundo. É isso que fazemos o tempo todo, mesmo sem querer: lutamos por um mundo que seja feito à nossa imagem e semelhança.

Fotografia de Sami Uçan.

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