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A presunção moral

Viver em sociedade implica, necessariamente, em aceitar o confronto com os outros. Tem que ser desse jeito e não pode ser de outro porque não existe vida sem conflito — o que não significa que a gente precise estar em constante estado de violência ou agressão.

Por mais que pareça, a vida no confronto é o que nos faz avançar e adotar uma postura de transformação (nossa e do mundo). Eu sei que as pessoas às vezes dizem que gostariam de estar em uma comunidade em que todos fossem iguais em tudo, mas a verdade é que ninguém espera realmente uma vida assim, como se fosse possível termos um pensamento único. Não é possível e nem seria vantajoso, e imagino que você também sente que é assim.

No âmbito do confronto, muitas pessoas se colocam como mais capazes e moralmente superiores às outras. E é aí que eu acho que tudo descamba pro erro, porque essa presunção moral, que nos faz achar que as ideias diferentes são sinônimo de falha de caráter, deixam todo e qualquer convívio inviável. Ninguém é realmente mais ético, mais comprometido e mais consciente do que os outros, porque todo mundo quer crer que é assim, e é impossível ter tudo e nada ao mesmo tempo. No fim, se estamos juntos em algo, é nessa sensação de vaidade que nos une e nos faz acreditar que podemos sempre mais e mais.

Marcos Ramon

Marcos Ramon

Professor no Instituto Federal de Brasília, pesquisando ensino, estética e cibercultura. Lattes | ORCID | Arquivo
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