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A experiência da releitura

Schopenhauer escreveu que o bom leitor não é aquele que lê muitos livros, mas sim aquele que relê. Apesar de confiar nisso, preciso admitir que raramente faço releituras. Mas esses dias, meio que por acaso, voltei a ler Sherlock Holmes e descobri que não lembro de quase nada desses livros que eu já conhecia. Estranho, né?

Faz tempo que eu e a minha esposa insistíamos para que nosso filho lesse O cão dos Baskerville. Daí, pra estimular ele, fiquei lendo o livro junto, no mesmo ritmo. Sempre que ele lia um capítulo eu também lia e depois a gente conversava sobre o texto. E é curioso que as surpresas que ele tinha eram também as minhas, porque eu não conseguia lembrar de praticamente nada. Terminando esse livro fui para Um estudo em vermelho, e aconteceu o mesmo: apesar de já ter lido, só consegui ter vislumbres de cenas e diálogos. O todo da história seguia completamente perdido na minha memória.

Não sei dizer se isso é bom ou ruim. Por um lado quero acreditar que é bom, porque aproveito o texto quase como se fosse a primeira vez; mas também é ruim, porque fico imaginando que talvez eu esteja com um grave problema de memória…

Depois de terminados esses dois livros (os únicos que já tinha lido de Arthur Conan Doyle) vou ter uma experiência realmente nova com O Sinal dos Quatro1, um livro que nunca tinha lido. Quer dizer, pelo menos eu acho…

Ilustração de Sherlock Holmes, por Sidney Paget.

  1. Em algumas traduções aparece como O Signo dos Quatro

Marcos Ramon

Marcos Ramon

Professor no Instituto Federal de Brasília, pesquisando ensino, estética e cibercultura. Lattes | ORCID | Arquivo
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