A beleza trágica

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Para Nietzsche, Apolo representa o deus da beleza, da serenidade, do controle. Porque perceber a beleza é controlar, em certa medida, a própria vontade. Quando nos entregamos ao mundo e aos nossos desejos, nos deparamos com a dor de viver em meio à incerteza e a loucura, algo que fomos educados para evitar.

Beleza tem a ver com serenidade e é por isso que na cultura pop, na moda e nos anúncios de publicidade o nosso olhar é sempre guiado para aquilo que agrada e apazigua. A fórmula da beleza na contemporaneidade é a serenidade comedida com um mínimo de excitação — sendo esta última necessária apenas para estimular o consumo.

Mas Nietzsche não achava que devíamos destruir o apolíneo em nós. Precisamos dessa mansidão para não vivermos na loucura, da mesma forma que precisamos de instantes de loucura para não morrermos na ilusão do controle. A beleza controlada é tão terrível quanto a ausência de racionalidade; e só o meio-termo, o reconhecimento da tragicidade da vida, pode nos aproximar de uma experiência do belo que não nos adoeça e nem nos faça perder a esperança no mundo.

“More Legends”, por Nathalie Gaouyer

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