Apostila Filosofia 2º ano (parte 2)

19 minuto(s) de leitura

Olá, tudo bem? Nesse roteiro você vai encontrar os conteúdos de Filosofia trabalhados no 2º Bimestre (2020) para o estudantes do 2º ano do Curso Técnico em Informática Integrado ao Ensino Médio (IFB). Agora, se você não é desse curso, mas tiver interesse no assunto, pode ler também, viu? Não se acanhe não. Para facilitar o acesso, utilize o índice abaixo:

Apresentação

Esse roteiro apresenta dois conteúdos distintos. Primeiro, temos aqui a conclusão do conteúdo de teoria do conhecimento que comecei a trabalhar no bimestre anterior. E depois, temos o início da nossa reflexão sobre a lógica.

Importante dizer que a apresentação da lógica que vou fazer aqui é bem direta e superficial. E isso por dois motivos:

1) tenho pouco tempo para discutir essa introdução à lógica, focando nos elementos da lógica argumentativa. E vou tratar apenas da lógica argumentativa porque… 2) os estudantes do EMI em Informática já possuem uma carga horária grande de lógica matemática em outras disciplinas.

Assim, a ideia aqui é discutir as últimas teorias relacionadas ao tema do conhecimento e, depois, iniciar essa apresentação da lógica. E eu vou fazer isso com uma breve introdução em forma de texto, vídeos com questões (no Edpuzzle) e algumas atividades no Kahoot. Preparada(o)? Então, vamos lá!

Pragmatismo

Até o bimestre anterior, discutimos algumas teorias sobre a possibilidade do conhecimento, sendo as últimas que vimos o Ceticismo e o Dogmatismo.

O pragmatismo, apesar de ser bem diferente dessas duas, possui alguma proximidade com o ceticismo. Mas, enquanto o ceticismo assume uma postura negativa por negar a possibilidade do conhecimento, o pragmatismo pretende ressignificar o conceito de verdade. Para o pragmatismo a verdade não é a concordância entre o pensamento e o ser. Mas, diferentemente do ceticismo, o pragmatismo substitui esse conceito por um novo. E o que é verdade para o pragmatismo? Aquilo que é útil, valioso para o ser humano.

De acordo com esse ponto de vista, o ser humano não é apenas um ser teórico ou pensante, mas sim essencialmente um ser prático. Assim, o nosso intelecto está sempre a serviço da vontade e da ação. Para o pragmatismo, portanto, o conhecimento é possível, mas não porque conhecemos a verdade em si. E sim porque conhecemos para nos orientar na realidade. Logo, determinando os fins práticos da vida, definimos o que pode ser conhecido.

Os fundadores do pragmatismo foram Charles Peirce e William James. Mas é importante ressaltar que Peirce rejeitou posteriormente o termo pragmatismo e preferiu utilizar a palavra pragmaticismo. O motivo da mudança se deu porque o filósofo acreditava que estava ocorrendo um uso inapropriado no senso comum do termo pragmatismo, que passou a ser associado com a figura de uma postura ou pessoa que é prática ou só se importa com o que é útil, quando, na verdade, a teoria tem uma preocupação lógica (levar as pessoas a se apoiarem em reflexões sobre a realidade e não em assuntos metafísicos).

Criticismo

O criticismo é uma teoria que pretende ser uma postura intermediária entre o ceticismo e o dogmatismo. De acordo com essa doutrina, é possível conhecer a realidade, mas não podemos conhecer tudo. O fundador do criticismo foi Kant, para quem “o criticismo é o método de filosofar que consiste em investigar as fontes das próprias afirmações e as razões em que as mesmas se assentam” (HESSEN, Johannes. Teoria do conhecimento, p.55).

Ao refletir sobre a possibilidade do conhecimento, Kant estabelece a diferença entre conhecimento a priori e a posteriori. Conhecimento a priori é todo aquele que é independente da experiência. Por exemplo, na afirmação “todo triângulo tem três lados”, o predicado da frase (tem três lados) já está incluso no sujeito (triângulo), cujo conceito é justamente o de possuir três lados. Por isso, os juízos a priori são chamados de analíticos, já que servem para explicitar o que já conhecemos, sem acrescentar elementos novos.

Por outro lado, conhecimento a posteriori é todo aquele que é adquirido depois da experiência. A frase “essa bola é branca” não é auto evidente, pois existem objetos como esse de outras cores. Por isso, esse tipo de juízo é também chamado de sintético, pois sintetizam conhecimentos ou percepções diferentes, acrescentando algo ao conhecimento.

Outra coisa importante de pontuar é que os juízos analíticos são necessários e universais, enquanto os sintéticos são contingentes. Nenhum triângulo pode ser triângulo sem ter três lados, mas uma bola pode ser de qualquer cor, e a bola que agora é branca pode ser pintada de outra cor.

Mas o que nos importa aqui é entender que Kant se deparou com um problema ao investigar os conceitos científicos (da física e da química, por exemplo). Pela definição, eles são conhecimentos sintéticos, dependentes da experiência. Mas também são necessários e universais. Afinal, as leis da física não mudam por conveniência. Assim, os juízos científicos são sintéticos a priori (o que, se você entendeu os conceitos até aqui, é realmente algo curiosos).

O porquê da existência de juízos sintéticos a priori tem relação direta com a possibilidade do conhecimento para o criticismo. Para Kant, existem juízos sintéticos a priori porque esse a priori está em nós, está no sujeito do conhecimento e não no objeto.

Efetivamente, para existir conhecimento é necessário que exista um sujeito e um objeto. No entanto, conhecer não é descobrir como o objeto realmente é. Para Kant, o conhecimento começa com a experiência, com a sensibilidade, mas termina com a junção entre as experiências e as categorias da razão (como espaço, tempo e causalidade, por exemplo). Quando eu falo árvore, ou maçã, e mostro as imagens dessas coisas, você entende o que estou falando porque estabelece uma conexão entre os conceitos, as imagens e sua experiência concreta.

Por isso, não existe conhecimento fora da realidade. Para o criticismo tudo o que podemos conhecer é o fenômeno. Por outro lado, a coisa-em-si, a essência das coisas, será para sempre um mistério. Mas, mais do que isso: o fenômeno que conhecemos é apenas uma representação que fazemos da realidade, algo dependente da nossa capacidade limitada de perceber o mundo ao nosso redor.

Outros animais possuem mais audição, mais olfato ou mais visão que nós (e nós possuímos mais percepções que alguns dos outros animais). Logo, se não percebemos o mundo do mesmo jeito que esses outros seres, como poderíamos dizer que o mundo é do jeito que vemos, sentimos ou ouvimos? O mundo que conhecemos é uma representação, mas não o mundo em si. E é só essa representação que podemos conhecer. Portanto, não podemos conhecer tudo, como queriam os dogmáticos, mas também não estamos privados do conhecimento, como defendiam os céticos. Podemos conhecer, mas no limite da nossa sensibilidade e de nossa capacidade intelectual.


O criticismo talvez seja a resposta que melhor sintetizou essa questão sobre a possibilidade do conhecimento. Mas existe outro tema importante, dentro da área filosófica: a origem do conhecimento.

A origem do conhecimento

Quando formulamos um juízo sobre a realidade, como “a roupa do varal ficou encharcada por causa da chuva”, nós nos apoiamos em determinadas percepções, em dados dos sentidos (visão e tato, por exemplo). Mas não se trata apenas da experiência, pois entre perceber choveu e identificar que a chuva molhou a roupa, o que acontece é a identificação de uma relação causal. A origem do conhecimento é justamente a área da teoria do conhecimento que investiga qual dos dois fatores (a experiência ou o pensamento), é decisivo no processo de conhecer. E uma das doutrinas que oferece resposta para essa questão é o racionalismo.

Racionalismo

O racionalismo vê no pensamento, na razão, a fonte principal do conhecimento humano. O conhecimento, de acordo com a teoria, só é conhecimento se for logicamente necessário e universalmente válido. Apenas quando a razão julga que algo é assim e não pode ser diferente, é que estamos diante do conhecimento.

Por exemplo, quando dizemos “o todo é maior do que a parte”. Essa frase encerra uma verdade puramente lógica, que não pode ser contestada por confusões da percepção. Por outro lado, ao dizer que “a água ferve a 100 graus” é necessário validar essa afirmação com uma comprovação da experiência.

Por mais que exista quem queira ver racionalismo na filosofia de Platão, fato é que o fundador do racionalismo é René Descartes. E o ponto central em que ele se apresenta como racionalista é quando desenvolve o argumento do cogito. Esse argumento está dividido em três partes:

  1. Os nossos sentidos são enganosos e não podemos confiar neles (duas pessoas diferentes podem perceber as cores ou sons de formas distintas, por exemplo).
  2. Poderíamos estar sonhando e a nossa vida inteira pode ser um sonho? Já pensou nisso? Se estiver sonhando desde que nascemos, como podemos saber a diferença?
  3. Por fim, Descartes chega à terceira parte do argumento com a tese do gênio maligno. Ele imagina o seguinte: se existe um Deus todo poderoso, quem pode nos garantir que se trata de um deus bom e não de um gênio maligno, alguém que cria ilusões e me faz acreditar nelas? Teríamos como saber com certeza. A resposta de Descartes é não. Mas, é importante dizer, ele era cristão e acreditava em um Deus todo poderoso e bom. Esse argumento, portanto, é apenas hipotético, mas importante para a conclusão que se segue.

A conclusão, famosa, a que Descartes chega é que, ainda que não possamos contestar nenhuma das etapas acima, podemos ter uma certeza absoluta: existimos. Não posso pensar sem existir. Logo, se os sentidos enganam, enganam a mim. Se a vida é um sonho, eu preciso existir para estar sonhando. Se existe um gênio maligno que me ilude, eu preciso existir para ser enganado. Portanto, pelo simples fato de eu poder duvidar da natureza da realidade, eu descubro que penso, logo existo (cogito, ergo sum).

Mas a reflexão do cogito só serve para cada pessoa em particular. Por isso, a consequência dela é o solipsismo, o isolamento do eu em relação ao mundo externo. O conhecimento verdadeiro que podemos ter é um conhecimento puramente metafísico.

Antes de terminar e seguir para a próxima teoria, é preciso dizer que Descartes foi o mais importante dos racionalistas, mas não o único. Decidi focar minha apresentação nele por conta e de sua relevância, mas existiram outros que também produziram obras famosas, como Pascal, Spinoza e Leibniz. Assim, se você tiver mais interesse no racionalismo, pesquisa um pouco sobre esses autores.

Empirismo

O empirismo se opõe à tese do racionalismo defendendo que a verdadeira fonte do conhecimento é a experiência. Nessa perspectiva, a consciência cognoscível tira seus conteúdos não de conhecimentos a priori mas sim da própria experiência. Essa teoria é bem exemplificada pela metáfora criada por John Locke, que defendia que a mente humana é como uma tábula rasa, um quadro em branco, em que a experiência escreve. Mas possui também um antecedente interessante em Aristóteles que escreveu que “nada está no intelecto que não tenha passado antes pelos sentidos”. Ou seja, todo conhecimento possui uma base empírica.

Uma pergunta comum, no que se refere ao empirismo, é o questionamento sobre as nossas ideias, sobre como elas surgem. O empirismo defende que todas elas surgem por um processo que se inicia com as percepções concretas e se conclui com a elaboração de conceitos e representações gerais. Assim, esses conceitos nascem organicamente da nossa experiência e não existem de maneira independente.

Para fins didáticos, podemos afirmar que o fundador do empirismo foi o inglês John Locke (1632-1704). Para ele, não existiam ideias inatas. Todas as ideias partem da experiência, seja a experiência externa (sensação) ou a experiência interna (reflexão). As ideias, por sua vez, se dividem em ideias simples e complexas, sendo que estas últimas surgem da junção de ideias simples. Mas, é importante dizer, para Locke uma coisa são as nossas ideias, todas provenientes da experiência, e outra é o valor lógico dessas ideias. O valor lógico das ideias não reside na experiência, mas sim no pensamento. E apenas nesse sentido, Locke admite a existência de verdades a priori.

Outro famoso empirista foi David Hume (1711-1776). O ponto de partida de Hume é exatamente o mesmo de Locke; ou seja, todo conhecimento começa com a experiência. No entanto, ele insere uma reflexão inovadora ao propor que a causalidade é uma ilusão.

Para ele, vemos uma coisa acontecer depois da outra, uma vez, duas, três… e assim acabamos adquirindo a crença de que as coisas são decorrentes umas das outras, o que, na verdade, pode ser apenas uma ilusão. Ele utiliza como exemplo duas bolas de bilhar. A primeira bate na segunda, e esta se move. E isso é tudo que vemos. A causalidade por si mesma, é impossível de observar. Da mesma forma, vemos o sol nascer toda manhã. Adquirindo esse hábito esperamos que isso se repita outras vezes, o que acaba acontecendo. Então, acreditamos que esta é uma verdade causal, pautada em um raciocínio lógico, quando, de fato, é consequência apenas de uma experiência que se repete.

E se um dia aquilo que achamos que deveria sempre acontecer não acontecer mais? E se a bola de bilhar não mover a outra? Ou sol não nascer? É impossível, podemos dizer. Mas por que é impossível? Apenas porque aconteceu até aqui? Veja se você concorda comigo: uma coisa pode acontecer 50 mil vezes e não acontecer na oportunidade seguinte.

Mas, apesar de acreditar que nosso conhecimento é fruto do hábito e não de uma verdade absoluta, Hume não negava a importância desse hábito. O raciocínio indutivo, a generalização de casos particulares, pode ser um bom guia para vivermos e entendermos a realidade. Portanto, não é errado se apoiar nas experiências. Afinal, é a partir das experiências que nos relacionamos com a realidade.

Hume criticava também a percepção cartesiana de que existe um “eu” independente da experiência, um pensamento puro. Descartes acreditava que nós existimos independentemente dos nossos corpos, dos nossos sentidos, e que somos uma substância pensante (res cogitans). Para Hume, por outro lado, eu não posso pensar em mim mesmo me separando dos conteúdos da minha experiência. Os costumes, a memória, nossos sentimos, são todos frutos da nossa experiência e não existem de forma independente. Por que as pessoas não apreciam todas as mesmas obras de arte, ou não gostam dos mesmos sabores, ou não sentem prazer com as mesmas coisas? Porque somos a soma de nossas experiências e não existe nada de absoluto ou universal em nossas ideias, sentimentos ou pensamentos. Existem hábitos, e alguns desses são mediados pela cultura, se tornando aceitos por muitas pessoas.

No final das contas, todo conhecimento, sobre nós mesmos e sobre o mundo externo, é apenas probabilidade. Um exercício que Hume nos convida a fazer é o seguinte (e você pode tentar fazer isso agora): tente se identificar. Tente perceber o que você é. Mas para isso, tire todas as experiências que você já teve e se concentre apenas em sua consciência. Não vale usar lembranças, memórias ou qualquer coisa que você possa associar com experiências. Tente se conectar apenas com o seu interior e encontre a resposta para o que você é. É possível fazer isso? Hume acreditava que você pode tentar o quanto quiser, e só vai conseguir pensar em si mesmo a partir de coisas que viveu, a partir de experiências que teve. E, você, o que acha?

Bem, as ideias presentes nas filosofias de John Locke e David Hume resumem o que é o empirismo. Mas existem outros filósofos importantes que defendem a teoria, como Thomas Hobbes, George Berkeley e John Stuart Mill. Então, não deixe de pesquisar sobre eles para entender melhor a teoria.


Introdução à lógica

Não é raro utilizarmos a palavra lógica no nosso cotidiano. Você, por exemplo, já ter respondido para alguém que perguntou uma coisa óbvia: “É lógico!”. Esse é, sem dúvidas, o sentido mais comum da palavra lógica: um sinônimo de evidente.

No entanto, a filosofia quando estuda a lógica (cuja etimologia vem da palavra grega logos = razão, palavra), se preocupa com a reflexão em torno do raciocínio correto. Um conceito bom, que acho que resume bem o tema é esse, de Irving Copi: “Lógica é o estudo dos métodos e princípios utilizados para distinguir o raciocínio correto do incorreto”.

A partir disso acho que você compreendeu que uma pessoa não precisa, necessariamente, estudar lógica para pensar da maneira correta. No entanto, o estudo dessa disciplina pode nos ajudar a raciocinar de maneira mais eficiente, bem como pode nos munir da capacidade de identificar erros em outros raciocínios, feitos por outras pessoas. Você vai perceber também, ao pesquisar, que existem duas áreas distintas (mas complementares) do estudo da lógica: a argumentativa e a matemática. Mas aqui, neste momento, vamos estudar apenas os elementos básicos da lógica argumentativa.

Elementos da lógica

A lógica possui alguns elementos básicos, que oferecem os materiais com os quais trabalhamos. E esses elementos são os quatro a seguir:

  1. Proposição: o significado de uma oração declarativa;
  2. Argumento: qualquer grupo de proposições tal que se afirme ser uma delas derivada das outras, as quais são consideradas provas evidentes da verdade da primeira;
  3. Premissas: as proposições que justificam a conclusão;
  4. Conclusão: a proposição principal do argumento, defendida pelas premissas.

Para entendermos melhor, basta você compreender o seguinte: não existe argumento sem proposições, e as proposições precisam ser afirmações ou negações. Ou seja, é necessário termos frases declarativas. E por quê? Porque apenas orações declarativas podem ter valor de verdade.

Imagine, por exemplo, que eu diga a você: “Será que vai chover amanhã?”. Ou então: “Não esqueça de comprar o remédio!”. Essas duas frases não podem ter seu valor de verdade aferido. Você não pode dizer se elas são verdadeiras ou falsas, porque elas não emitem declarações. Agora observe essa frase: “Aristóteles nasceu em Atenas”. Essa é uma proposição, pois podemos avaliar se essa sentença é verdadeira ou não (no caso, não é, pois Aristóteles era Macedônio). E é com esse tipo de material que os argumentos são construídos.

Um argumento é sempre, e necessariamente, um conjunto de proposições. Mas desde que nesse conjunto de proposições, uma delas seja defendida pelas outras. Veja esse exemplo: “Semana passada eu fui à Belo Horizonte. Eu gosto do clima de lá”. Será temos um argumento aí. Não. Afinal, esses duas orações, apesar de relacionadas, não se sustentam uma na outra. Agora imagine que eu utilizasse aquelas mesmas proposições desse jeito: “Semana passada eu fui à Belo Horizonte porque eu gosto do clima de lá”. Você concorda que houve uma mudança significativa? A inclusão da palavra porque, transformou aquelas duas frases isoladas em um argumento.

Como já afirmei antes, em um argumento uma das proposições (a principal delas) é a conclusão; e as outras (as que justificam a conclusão) são as premissas. Logo, nesse exemplo mencionado temos o seguinte modelo:

{desenho conclusão e premissa}

Simples, não é? Mas nesse vídeo você vai ter mais detalhes sobre o assunto, para tirar qualquer dúvida:

Princípios lógicos

A lógica argumentativa é, essencialmente, a lógica desenvolvida por Aristóteles e compilada na Idade Média por muitos filósofos. Nesse modelo de lógica existe uma classificação das proposições em quatro tipos ou formas:

  1. Todos os A são B.
  2. Nenhum A é B.
  3. Alguns A são B.
  4. Alguns A não são B.

Estas proposições são classificadas da seguinte maneira, utilizando letras específicas:

• «Todos os A são B» são as de tipo A ou universais afirmativas • «Nenhum A é B» são as de tipo E ou universais negativas. • «Alguns A são B» são as de tipo I ou particulares afirmativas. • «Alguns A não são B» são as de tipo O ou particulares negativas.

Uma forma boa de visualizar essas proposições, é utilizando o quadrado lógico:

{ desenho do Quadrado Lógico}

Nesse quadro conseguimos visualizar os quatro de proposições e suas relações a partir dos princípios lógicos fundamentais, apresentados por Aristóteles.

Mas antes de mostrar as regras do quadrado lógico, é necessário apresentar os princípios a que eles se referem:

a) Princípio de Identidade Se qualquer enunciado é verdadeiro, então ele é verdadeiro. Se for falso é falso. Exemplo: Um ser é sempre idêntico a si mesmo: A é A.

b) Princípio de Não-Contradição Nenhum enunciado pode ser verdadeiro e falso ao mesmo tempo (e sob o mesmo aspecto). Exemplo: É impossível afirmar que A é A e é, ao mesmo tempo e sob o mesmo aspecto, não-A.

c) Princípio do Terceiro Excluído Se um enunciado é verdadeiro o seu inverso é necessariamente falso, não há uma terceira opção. Exemplo: A é x ou não-x, não havendo uma terceira possibilidade.

E aqui você pode ver as regras que apresentam as relações entre as proposições:

  1. Contrariedade Duas proposições são contrárias quando ambas não podem ser verdadeiras, mas ambas podem ser falsas. Universais Afirmativas (A) e Universais Negativas (E) são contrárias. Exemplos: “Todos corvos são pretos” e “Nenhum corvo é preto” não podem ser ambas verdadeiras. “Todos homens são brancos” e “Nenhum homem é branco” podem ser ambas falsas.

  2. Contraditoriedade Duas proposições são contraditórias quando elas nunca podem ser ambas verdadeiras ou ambas falsas. Universais Afirmativas (A) e Particulares Negativas (O) são contraditórias. Universais Negativas (E) e Particulares Afirmativas (I) são contraditórias. Exemplos: Se “alguns mamíferos são ovíparos” (I) é verdadeira, então “nenhum mamífero é ovíparo” (E) é falsa. Se “alguns mamíferos são insetos” (I) é falsa, então “nenhum mamífero é inseto” (E) é verdadeira. Se “todos homens são mortais” (A) é verdadeira, então “alguns homens não são mortais” (O) é falsa. Se “alguns homens não são brancos” (O) é verdadeira, então “todos homens são brancos” (A) é falsa.

  3. Subalternidade Quando a Universal da relação é verdadeira, a Particular também é verdadeira. Contudo, o contrário não é logicamente necessário. Quando a Particular da relação é falsa, a Universal também é falsa. Contudo, o contrário não é logicamente necessário. Universais Afirmativas (A) e Particulares Afirmativas (I) são subalternas. Universais Negativas (E) e Particulares Negativas (O) são subalternas. Exemplos: Se “todos triângulos são polígonos” (A) é verdadeira, então “alguns triângulos são polígonos” (I) é verdadeira. Se “nenhum mamífero é invertebrado” (E) é verdadeira, então “alguns mamíferos não são invertebrados” é verdadeira. Se “alguns triângulos são círculos” é falsa, então “todos triângulos é círculo” é falsa. Se “alguns insetos não são artrópodes” (O) é falsa, então “nenhum inseto é artrópode” (E) é falsa.

  4. Subcontrariedade Duas proposições são subcontrárias quando ambas não podem ser falsas, mas ambas podem ser verdadeiras. Particulares Afirmativas (I) e Particulares Negativas (O) são subcontrárias. Exemplos: “Alguns homens são asiáticos” (I) e “alguns homens não são asiáticos” (O) podem ser ambas verdadeiras, mas não podem ser ambas falsas.

Nesse próximo vídeo eu faço um resumo desse tópico abordado aqui:


Bem, por enquanto é só. Mas antes de sair, vou reforçar a sugestão da apostila anterior: o app do Kahoot tem um recurso de estudo com flashcards que é bem bacana. Por enquanto, ele só funciona no app para smartphones ou tablets, mas os desenvolvedores prometem trazer esse recurso para a versão web também. Então, se você quiser estudar mais sobre teoria do conhecimento, aqui seguem alguns questionários que eu fiz.

Questionários no Kahoot

Outros textos

Referências

Categorias:

Atualizado em:

Deixe um comentário